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segunda-feira, 19 de março de 2012

Ponto-e-Vírgula

Acabou de sair do forno mais um texto para a coluna Ponto-e-Vírgula do site do Clube de Criação do Paraná.  Clique na imagem abaixo para acessar.


domingo, 26 de setembro de 2010

Máquinas de costura e câmeras digitais

Era uma vez uma vovó e sua netinha, a Alice. A vovó era costureira, sempre foi. Desde 1951, quando herdou de sua mãe a velha máquina de costura, ela a utiliza para trabalhar. No mês passado, dia 10, a Alice completou quinze anos. Sua avó lhe deu de presente um lindo vestido rodado de seda, cor lilás, bem acinturado. Alice, menina simples, usava em sua festa, feliz da vida, o vestido de seus sonhos.

Corta.

Quando Alice ganhou o vestido de sua avó, imagine o que ela disse. Terá sido: "Nossa vovó, que vestido lindo; mas também, com aquela máquina qualquer coisa fica boa!"?

Acho que não.

Pois é, muitas vezes já ouvi algo parecido. É provável que você também já tenha ouvido. Talvez até tenha dito algo do tipo:

— Nossa, que foto bonita. Mas também, com uma super câmera igual a essa é fácil!

Sem nenhuma pretensão ou indignação, quero fazer você refletir um pouco sobre isso.

A popularização da fotografia começou com as primeiras câmeras compactas da Kodak; uma revolução. Todo mundo podia ter uma câmera. Mas uma revolução maior ainda estava por vir: a da fotografia digital. Hoje, além de todo mundo ter a sua câmera digital ultra compacta, os recursos que na época do filme eram previlégios dos fotógrafos profissionais estão presentes em quase todas as câmeras, até nas mais baratas. Controle de exposição, balanço de brancos, regulagens manuais de obturador e diafragma; está tudo lá, para todo mundo.

De repente muita gente começou a tirar muito mais fotos. Um simples aniversário pode render umas 200 fotos, ou até mais.

Aí eu paro e te pergunto: nesse mar de imagens, o que diferencia um bom fotógrafo? Será a câmera de dois quilos com lentes enormes que ele exibe orgulhosamente pendurada ao pescoço? A resposta é não.

Para fazer boas fotos é necessário, antes de qualquer coisa, saber ver. É o olhar do fotógrafo que faz uma foto ser boa. Ao mirar os olhos no visor ou ao olhar para o LCD da câmera é necessário ter plena consciência de onde colocar cada objeto naquele pequeno espaço e de como as linhas, cores e formas se harmonizarão.

Fotografia é algo simples, é uma arte, a arte do olhar atento, que enxerga imagens mesmo quando não há câmera para registrá-las. É arte que você pode fazer com seu celular ou até com uma latinha de Nescau. Não há regras, há apenas bom-senso, ou melhor, o seu senso.

Pra ilustrar, vejam só alguns exemplos de fotos que eu tirei utilizando câmeras mais simples (clique sobre elas para ampliar).



Não quero fazer propaganda da Coca-Cola. Mas enfim, na ocasião ela serviu bem como primeiro plano. Nessa época eu ainda não tinha câmera digital, então emprestei uma de 2 megapixels de um amigo. Na foto estão meu tio Luciano e meu primo caçula, o Pedro, num almoço em família há alguns anos atrás. Reparem na luz lateral que inunda os copos e nos planos bem definidos (1° plano: a coca; 2° plano: os copos; 3° plano: as pessoas).



O chão tecnológico é da passarela do Shopping Muller sobre a Mateus Leme. Apoei a camerazinha digital no chão para captar a textura e conseguir um ângulo diferenciado.



Captei esse pôr-do-sol com uma câmera de filme compacta (dessas que todo mundo antes tinha; era só apertar o botão, lembram?) . O céu parecia imitar os traços de uma bela aquarela.



A textura e os defeitos dessa fotos devem-se à câmera que utilizei, uma Pen, clássico dos anos 1960, uma câmera linda, pequenininha, com um design super cult. Alguém um dia pensou que ela não serviria mais pra nada...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sutilezas, detalhes... Fotografia



A fotografia me fez conhecer novos universos. Um desses universos - e talvez o mais instigante de todos eles - é o das sutilezas; aquelas coisas simples, tão normais, coisas que a gente não precisa procurar muito para achar, afinal elas estão aqui, ao meu lado, e aí, à sua volta. Ao observar coisas tão banais descobri imensa beleza; talvez não aquela beleza que a maioria valorize, mas algo de uma singularidade surpreendente: a beleza dos detalhes.

Parece bobagem, mas sinto que a felicidade está intimamente ligada a essas coisinhas que nos cercam, coisinhas para as quais nem damos bola. Coisinhas como conchinhas na praia, tão pequeninas, mas tão perfeitas; coisinhas meigas como um flagra de um carinhoso beijinho entre irmãs; coisinhas gostosas como uma colorida gelatina com creme de leite; e por aí se vai... O que quero dizer, é que quando atentamos às sutilezas do nosso dia-a-dia começamos a ver beleza nelas, e podemos até sentir a paz que essas pequenas, mas sublimes coisas podem nos trazer.

Ao buscar captar tudo isso por meio da fotografia, não conta muito se utilizo uma câmera de vinte megapixels ou uma simples câmera analógica descartável. O que importa é a sensibilidade do olhar e da alma; sim, é necessário ser meio bobo mesmo. É necessário muitas vezes não pensar no objeto fotografado, e sim nas cores e formas que enchem de luz o invólucro escuro da câmera. Nesse nível é possível, com sorte, encontrar-se com o abstrato, resultado de muitas doses de subjetividade, onde o objeto é aparentemente transcendido, trocado pelos seus detalhes, ou a sua percepção é alterada devido a um ângulo mais interessante.

Concordo com Susan Sontag quando afirma que “nossa sensação irreprimível de que o processo fotográfico é algo mágico assenta-se em bases verdadeiras”. Afinal, o que é a fotografia? Uma fração de segundo congelada no espaço. É engraçado como muitas vezes gastamos tempo admirando um desses ínfimos momentos capturados.

É exatamente esse encantamento que nós, diretores de arte, fotógrafos, designers, enfim... buscamos com todas as forças causar ao nosso público, e aí está o papel fundamental ocupado pela fotografia na sociedade atual. A capa do livro, o folder, o cartaz, a home do site, o twitter... a fotografia está em todo lugar. No meio desse mar de imagens faz diferença o profissional que sabe realmente, profundamente e sensivelmente “ver”. Se o mundo é repleto de detalhes, a fotografia é a arte de captar esses detalhes, a arte da verdade. Olhe a sua volta, enxergue a beleza que está ao seu redor. Acredite, o melhor criativo é aquele que sente. A fotografia me ensinou isso.

Texto originalmente publicado na seção Ponto-e-Vírgula do site do Clube de Criação do Paraná (http://www.ccpr.org.br/interna.php?pagina=pontovirgula&tpg=2&id=187).